5.23.2012

O segredo de L que também é meu.

L. já foi um dos meus segredos em dois mil e dez, segredo de estréia, segredo censurado a pedido do co-autor. Para evitar maiores problemas exclui o texto do Revelador de Segredos, minha escrita provocou ira sobre ela, mesmo não havendo exposição dos nomes verdadeiros dos envolvidos.
A vida de algumas pessoas são como obras de arte, pena elas não perceberem esse valor artístico.
L. hoje volta a ser alvo do blog porque ela é um enorme segredo, mas dessa vez será sua última vez. Porque o motivo que a trazia aqui sempre foi sua ligação com alguém da minha estima, porém estando ela no passado desse alguém, automáticamente no meu passado ela também está.

Eu sempre gostei de L..
Quando a gente gosta de um homem os amores desse homem passam a ser nossos amores também.
L. nunca foi minha rival, tinha respeito enorme por ela, nunca desejei o fim do seu romance, nunca quis ele só pra mim. Ele era de nós duas e tantas outras. Amar é saber dividir, mas normalmente as pessoas preferem a possessividade ao amor de verdade sem alianças e fidelidade.

L. me odiou por minha insensibilidade, me odiou por ter sido eu uma garota entre o casal, envolvida com adultos pais e mães de família; me odiou porque sabia que eu sabia do segredo, porque eu os via quando ela imaginava estar sozinha, porque eu a conheci como veio ao mundo, mas sua nudez sempre foi poesia, brasa viva. Me odiou, mas continuou com o real culpado provocador desse odio, isso é o amor. Crucificamos todos por causa dele, embora ele devesse ser o crucificado.

Sendo eu a garota em meio a uma relação de muitos anos, de cumplicidade, afeto lírico e intelectual, fui excluída de suas vidas como um objeto sem qualquer valor. E se eu dissesse que entristeci estaria mentindo, foi um alívio poder sair limpa de tudo isso.

Quem ficou amou por mais algum tempo, mas o amor nunca é o mesmo depois dos tropeços.
L. terminou seu relacionamento com seu amante não faz muito tempo. Brigou com o mundo virtual inteiro a troco de nada, mas ela sempre soube que teria um fim e que o sabor seria amargo, e as vezes sentiria vontade de voltar, mas se voltasse seria pra passar por tudo que já havia passado. 
L. sabe, E. é de todos e para todos. Nada além da velhice o fará parar, nada além da impotência o fará desistir, nada além do cansaço mental o fará deixar de poetizar nas bocas do mundo.

E. nesse momento rega outra flor dentro dele.
Que não Ela, que não Eu.


Morning will come, 
And i'll do what's right; 
Just give me till then 
To give up this fight. 
And i will give up this fight.

3 comentários:

  1. Esta sua parte livre, regada a amor e consciência, independente, solitária, nua e exposta, verdadeira e cristalina, que não faz concessões, cujo o amargo está mais para amaro, colorida de um cinza que tem as nuances de todas as cores do arco íris, cujo calor da pele se apercebe através de suas letras; cuja fome de vida impossível de saciar a faz voltar aos braços das palavras, emoções e sentimentos; essa parte crua mas humana, terrívelmente humana, que emana de suas criações literárias e nos faz bater um pouco diferente nossos corações...: é essa parte que te amo.

    E nem falei de seu sorriso, que abarca pelo menos, umas 20 gerações.
    :)

    Quanto aos meus segredos, não me lembro de nenhum que mereça este espaço...

    Abraços.

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  2. Tive que vir reler, algo em mim precisava vir reler.
    A questão do objeto sem qualquer valor desse tão amargo, algo que não sabemos lidar em totalidade. Enfim, mais uma belíssima postagem!

    Não pare de atualizar!

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  3. Algumas coisas ficam: para o bem, ou para o bem.

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