7.06.2011

O Segredo de Mª.


Eu lembro muito bem do som alto sempre que ele chegava feliz em casa, eu rodopiava em volta de mim junto à ele, eu não escapava, ele me atracava assim sem doer, era macio. Eu lembro dele escrevendo no meu corpo sem tamanho cifras com pincel de chumbo que pingava seu negro amor, sorria, - assim é que se faz; ele fazia o que eu não posso contar porque me arrepia a espinha e jamais se esquece. Eu lembro, ele me abusou, acima de tudo, ele me arruinou.

A noite trazia flores pra curar as dores que eu sentia quando o sol nascia todos os dias, era impossível ser dele por toda vida, nosso amor não chegou a durar, nem viver ou valer. Mas precisei aprender a viver em paz com a falta de paz, eu tinha esperança de ser feliz e fui mulher mal amada, de um jeito estúpido, cego e que não diz que não.
Eu vim pelas ruas só pra contar que estou morta, cansada, sofrida, sou resto de fantasia, apesar de ter o que dizer, não discuto com ninguém mais não. Podem me prender eu fiz por merecer. Podem me prender eu matei foi por querer, estava cansada de apanhar sem merecer.