10.11.2011

O Segredo de C


C. é um eterno adolescente, não tenho certeza se tem 20 anos ou 30, o próprio finge ser mais novo quando está interessado em uma garota mais nova, seu problemas com a idade já demonstra quão questionável é sua personalidade e amadurecimento. Esconde-se na baixa estatura, magreza e humor nas alturas, esconde também a careca dentro do boné e a vida na casa da esquina.
É muito agradável e divertido, mas não serve pra amigo, costuma mentir. É também inseguro e instável, por isso nunca saiu de casa com suas roupas nas costas pra aventurar e ser feliz. É namorado de uma popozuda e não curte quando ela usa mini-shorte, tem vergonha do gosto e medo do desgosto. É imaturo e inconsequente, vive num troca-troca de mulher e quando uma ou outra engravida gasta mundos e fundos pra matar. É um conhecido meu que num futuro próximo chegará aos 50 anos sem ter aproveitado a própria vida, sem alegrias, sem ter sido um bom amigo ou tido um verdadeiro amigo, sem uma história de amor pra contar e só.
C. tem um grande segredo, ele está esperando os pais morrerem pra começar a viver.
Os pais vivem preocupados com o seu futuro, mas C. nem imagina e se imaginasse não acreditaria.
Qual deles sobreviverá não sei dizer, mas provavelmente C. irá se arrepender tarde demais..

As pessoas nunca imaginam o que pensamos sobre elas, assim como não imaginamos o que os outros pensam e imaginam sobre nós. Somos regidos por segredos, vivemos de segredos, para eles e por eles morremos muitas vezes.

7.06.2011

O Segredo de Mª.


Eu lembro muito bem do som alto sempre que ele chegava feliz em casa, eu rodopiava em volta de mim junto à ele, eu não escapava, ele me atracava assim sem doer, era macio. Eu lembro dele escrevendo no meu corpo sem tamanho cifras com pincel de chumbo que pingava seu negro amor, sorria, - assim é que se faz; ele fazia o que eu não posso contar porque me arrepia a espinha e jamais se esquece. Eu lembro, ele me abusou, acima de tudo, ele me arruinou.

A noite trazia flores pra curar as dores que eu sentia quando o sol nascia todos os dias, era impossível ser dele por toda vida, nosso amor não chegou a durar, nem viver ou valer. Mas precisei aprender a viver em paz com a falta de paz, eu tinha esperança de ser feliz e fui mulher mal amada, de um jeito estúpido, cego e que não diz que não.
Eu vim pelas ruas só pra contar que estou morta, cansada, sofrida, sou resto de fantasia, apesar de ter o que dizer, não discuto com ninguém mais não. Podem me prender eu fiz por merecer. Podem me prender eu matei foi por querer, estava cansada de apanhar sem merecer.





4.28.2011

O Segredo de V




Eu amo v*, eu amo como nunca amei ninguém; sei que também sou amado e de uma maneira bem mais passional, escravizada, completa e irracional. O amor é assim plural e diversificado, porém, poucos compreendem a individualidade dos sentimentos e seus bilhões de trejeitos. Eu amo v* sem que eu precise viver em função dela ou cobri-la de presentes e beijos e palavras e romance e privilégios desmedidos. Só sei amar assim livremente.


v* não sabe lidar com todas essas discrepâncias do amor, por isso, sofre de ciúmes, teme perder, desconfia dos meus sentimentos, insiste em discutir o indiscutível, impõe ao nosso relacionamento uma carga maior do que ele pode suportar. Tudo por um motivo unanime: não amamos igual, amamos pessoas distintas, eu a amo, ela ama a mim. Não haveria meios para esse amor ser igual, apesar disso com todo meu amor sou capaz de viver uma vida inteira de dedicação a ela, mas não só a ela. E isso ela não compreende.


Tenho muitas pessoas pra amar, v* acha isso uma pavorosa realidade. Ela parece vítima de uma grande catástrofe natural e me faz exigências, em certos momentos me causa estranheza seu excesso de precisão. Jamais fui capaz de trair, embora tivesse sentido várias vezes vontade de dar motivos para v* duvidar de mim com propriedade. É enorme o desgosto de um homem correto que se vê diante de ameaças infantis da mulher que ama. É injusto para o inocente.


Reconheço a deslealdade masculina, ela realmente existe, assim como a feminina. Contra ela ninguém, nem mesmo eu ou v* é capaz de vencer, então pra que lutar? Minha mulher é doente, minha mulher ama demais, minha mulher ferve de tantos sentimentos. Ela começou a se tratar no MADA.

3.04.2011

O segredo de M.


47 anos de idade, 25 anos de profissão, 22 anos de casada e quase 10 anos atormentada pela incômoda ausência de amor, falta que só sente quem já teve muito muito amor.Tenho dois orgulhos se graduando na universidade, casa na praia no campo no exterior, amigos ocupados que só reaparecem no verão pra desfrutar do calor que só onde eu moro faz, a rotina dos meus dias é cruel e desonesta. Algumas coisas por muitas razões me faz falta: o cheiro do perfume que meu companheiro deixou de usar, os olhos dele confirmando seu desejo por mim, a infância dos garotos correndo pela casa ocupando meu tempo e os espaços, a época da pós inglês espanhol dança academia. De repente tudo evaporou, tudo aquilo que era bom fugiu pra dar lugar ao vazio. Minhas possibilidades de felicidade hoje resumem-se ao tempo escasso que passo na companhia dos meus filhos quando não estão com suas namoradas. Certa vez me disseram: perto dos cinquenta a gente deixa de ser mulher pra ser somente mãe. A vida é sacana mesmo.
Cansei de me redescobrir e fazer promessas. Cansei de por a culpa do fracasso no meu companheiro. Cansei de me esconder no armário. Em qualquer idade o que interessa é curtir, transar, beber e ferver os neorônios. Pra quê não comer acúçar, sal, frituras? Engordei, estou 10 quilos acima do meu peso ideal, mas pode ver meu sorriso nas fotografias, eu pareço muito feliz, eu sei que toda gorda tem a cara da felicidade, não escapei. Faço sexo duas vezes por semana e pra compensar os cinco dias sem transa meu marido me leva pra viajar. E se não dou trégua na leitura, se não te deixo respirar é por ser eufórica e querer que o mundo se convença do quanto natural e guerreira eu sou. Conheço muito de tudo, desde as cidades pequenas do meu estado aos lugares mais visitados do exterior. Essa bagagem facilita nas conversas, pareço tão interessante falando do que já vi e ainda assim não consigo ser atraente para meu marido. Mas sou para outros!!!! Foi numa dessas conversas que me faz parecer interessante que conheci um jovem através da internet. Simpatizei de tal modo que um dia sem falar com ele era pra mim um martírio. A amizade evoluiu pra romance e do romance nós conjecturamos um encontro.
Viajei, reservei hotel para os dois dias que eu passaria na cidade, simulei necessidade de estar só ao meu marido, tudo perfeito, arrisquei.
Ele não foi, o tal da internet simplesmente não foi. Escapou deixando uma lembrança qualquer, pensei em como eu me tornei vulnerável e disponível, talvez seja a idade, já tive dignidade.

1.27.2011

O segredo de I

Fatalmente não sou de ter pudores.
Meus desejos comandam minha respiração, meu instinto, a velocidade do sangue em minha corrente.
Meus pensamentos são só desejo e sexo o tempo inteiro.
Desejo a adolescente que corre na rua e num deslize deixa à mostra o sutiã cor de rosa, então eu olho imagindo-a completamente nua em meu colo também nu e seus gritos me impulsionando a querê-la com mais lentidão para desespero dela. Desejo a mulher de quarenta casada e fogosa, minha vontade é visitá-la amigavelmente e na primeira oportunidade levantar sua saia, percorrer minhas mãos sobre sua pele e bloquear sua boca com um pedaço grosso de fita, segurá-la firme por trás e penetrar em seu ânus com toda minha força, amassando seus seios violentamente, chamando-a de puta e no momento do gozo agachar seu corpo para que meu sêmen seja despejado em seu rosto, seios e garganta.
Desejo a cristã de fala mansa e olhar solidário, quero por ela ser chupado, lambido, sugado até o último caldo. Dela eu quero a xoxota em minha boca, dela eu quero contrações e espasmos. Desejo as mãos da mãe do meu amigo em meu pênis, desejo chegar ao climax com ela masageando-me vagarosamente e usando seu sinismo para fingir que não está acontecendo nada. Quero a garotinha de nove anos sem curvas, nem seios, ou pelos, quero beijar na boquinha e ser seu primeiro. Quero experimentar o rapaz com jeito afeminado que mora na casa ao lado da minha, quero comê-lo e ser comido. Minha mente realiza meus mais escusos desejos todos os dias, isso me deixa cansado e meu desejo nunca é completamente saciado.