10.14.2010

O Segredo de P.


Consumiu a si de maneira engenhosa igualmente a um urubu no momento em que devora o último pedaço de animal envelhecido e não satisfeito sai a caça a procura do que fede, do que descartam. Predadora presa de alma retirante é o que era.
Por instinto sobreviveu acima das emoçãoes dando a cada uma valores simbólicos e inferiores ao que realmente eram, projetava negatividade no olhar de quem precisava sentir consolo, chocando aos outros com sua ilusão de verdade sobre o sentir do mundo. Extirpar as belezas da vida foi o que fez de pior achando ser o melhor, e não satisfeita revelou suas intenções de matar pra quem quisesse ouvir, pois, sua coragem de matar era contínua e se consumava todas as vezes que o desejo vinha a tona e demonstrava sua ira, seus dentes pingavam sangue de tantas más palavras proferidas.
Sua existência peculiar era conhecida, subintitulada fugitiva, falada nas famílias. Aquela cuja as honrarias e sua presença não eram bem vindas. Era a antecipação do apocalipse. Era a erva que matava os menininhos. Era a dinamite do campo verde dos vizinhos. Era a filha de um pai ausente, que pra ela não existiu. Era a dor em forma de gente e coração que de tanto tremer não resistiu e partiu sem perdoar os que a fizeram sofrer e sem o perdão dos que ela fez minguar até desaparecer.

Foi-se uma depressiva convicta e levou junto seus inimigos,
só não os amigos, nunca teve..