3.06.2014

O segredo de Uly

Uly namora pouco mais de cinco anos com M. Na verdade não tem certeza disso, talvez sejam quatro ou seis anos, depois do primeiro ano parou de comemorar porque não sabia contar. Amorfabeta funcional, daquela que conta pelas demonstrações de amor que recebeu e deu, não pelos desafetos que a entristeceu.

Uly é uma mulher linda e extremamente devota.
Tem sede e sua sede é capaz de secar o amor do mundo inteiro.
Dá-se completamente e nua por qualquer trocado de M.,  tudo pra viver com tesão o que vier dessa vida, que é ele, para sempre. Uly tentou demais, mas seu grande amor lhe apagou com sua aspereza, umas traições, mil mentiras e algumas doses de injúrias.. Agora ela está pensando enfim no fim.

... mais um ano se passou




10.24.2012

O segredo de 1974

Nasci em 1974, isso nunca digo ou confirmo, mas sei que especulam.
Quando não se tem conteúdo faz-se uso da aparência e ela pode ser melhorada sempre. A "beleza das rugas" demagogia, a palavra em si não significa porra nenhuma. Intervenção cirurgica é coisa pequena perto da decadência física em que as mulheres são submetidas com o passar dos dias. No rosto botox, na buceta himenoplastia, na barriga abdominoplastia e para o resto do corpo academia. Ninguém diz que tive três filhos e homens a perder de vista. Sou casada porque assim consigo ser mais valorizada e dinheiro pra ir e vir.. Gosto de trair, de ficar com um ali outro aqui. Mas sempre caso!
Estou no terceiro casamento. No primeiro tive um filho que me trouxe imóveis. O segundo me trouxe mais um filho, carro, cursos. O atual me deu um filho, carro, plano de saúde dos bons, pensão por morte e um apartamentão. Mas, calma, a pensão por morte está a caminho. Enquanto isso estou ficando mais bonita. Em breve vou precisar arranjar um novo pai para os meus 3 filhos.

5.23.2012

O segredo de L que também é meu.

L. já foi um dos meus segredos em dois mil e dez, segredo de estréia, segredo censurado a pedido do co-autor. Para evitar maiores problemas exclui o texto do Revelador de Segredos, minha escrita provocou ira sobre ela, mesmo não havendo exposição dos nomes verdadeiros dos envolvidos.
A vida de algumas pessoas são como obras de arte, pena elas não perceberem esse valor artístico.
L. hoje volta a ser alvo do blog porque ela é um enorme segredo, mas dessa vez será sua última vez. Porque o motivo que a trazia aqui sempre foi sua ligação com alguém da minha estima, porém estando ela no passado desse alguém, automáticamente no meu passado ela também está.

Eu sempre gostei de L..
Quando a gente gosta de um homem os amores desse homem passam a ser nossos amores também.
L. nunca foi minha rival, tinha respeito enorme por ela, nunca desejei o fim do seu romance, nunca quis ele só pra mim. Ele era de nós duas e tantas outras. Amar é saber dividir, mas normalmente as pessoas preferem a possessividade ao amor de verdade sem alianças e fidelidade.

L. me odiou por minha insensibilidade, me odiou por ter sido eu uma garota entre o casal, envolvida com adultos pais e mães de família; me odiou porque sabia que eu sabia do segredo, porque eu os via quando ela imaginava estar sozinha, porque eu a conheci como veio ao mundo, mas sua nudez sempre foi poesia, brasa viva. Me odiou, mas continuou com o real culpado provocador desse odio, isso é o amor. Crucificamos todos por causa dele, embora ele devesse ser o crucificado.

Sendo eu a garota em meio a uma relação de muitos anos, de cumplicidade, afeto lírico e intelectual, fui excluída de suas vidas como um objeto sem qualquer valor. E se eu dissesse que entristeci estaria mentindo, foi um alívio poder sair limpa de tudo isso.

Quem ficou amou por mais algum tempo, mas o amor nunca é o mesmo depois dos tropeços.
L. terminou seu relacionamento com seu amante não faz muito tempo. Brigou com o mundo virtual inteiro a troco de nada, mas ela sempre soube que teria um fim e que o sabor seria amargo, e as vezes sentiria vontade de voltar, mas se voltasse seria pra passar por tudo que já havia passado. 
L. sabe, E. é de todos e para todos. Nada além da velhice o fará parar, nada além da impotência o fará desistir, nada além do cansaço mental o fará deixar de poetizar nas bocas do mundo.

E. nesse momento rega outra flor dentro dele.
Que não Ela, que não Eu.


Morning will come, 
And i'll do what's right; 
Just give me till then 
To give up this fight. 
And i will give up this fight.

10.11.2011

O Segredo de C


C. é um eterno adolescente, não tenho certeza se tem 20 anos ou 30, o próprio finge ser mais novo quando está interessado em uma garota mais nova, seu problemas com a idade já demonstra quão questionável é sua personalidade e amadurecimento. Esconde-se na baixa estatura, magreza e humor nas alturas, esconde também a careca dentro do boné e a vida na casa da esquina.
É muito agradável e divertido, mas não serve pra amigo, costuma mentir. É também inseguro e instável, por isso nunca saiu de casa com suas roupas nas costas pra aventurar e ser feliz. É namorado de uma popozuda e não curte quando ela usa mini-shorte, tem vergonha do gosto e medo do desgosto. É imaturo e inconsequente, vive num troca-troca de mulher e quando uma ou outra engravida gasta mundos e fundos pra matar. É um conhecido meu que num futuro próximo chegará aos 50 anos sem ter aproveitado a própria vida, sem alegrias, sem ter sido um bom amigo ou tido um verdadeiro amigo, sem uma história de amor pra contar e só.
C. tem um grande segredo, ele está esperando os pais morrerem pra começar a viver.
Os pais vivem preocupados com o seu futuro, mas C. nem imagina e se imaginasse não acreditaria.
Qual deles sobreviverá não sei dizer, mas provavelmente C. irá se arrepender tarde demais..

As pessoas nunca imaginam o que pensamos sobre elas, assim como não imaginamos o que os outros pensam e imaginam sobre nós. Somos regidos por segredos, vivemos de segredos, para eles e por eles morremos muitas vezes.

7.06.2011

O Segredo de Mª.


Eu lembro muito bem do som alto sempre que ele chegava feliz em casa, eu rodopiava em volta de mim junto à ele, eu não escapava, ele me atracava assim sem doer, era macio. Eu lembro dele escrevendo no meu corpo sem tamanho cifras com pincel de chumbo que pingava seu negro amor, sorria, - assim é que se faz; ele fazia o que eu não posso contar porque me arrepia a espinha e jamais se esquece. Eu lembro, ele me abusou, acima de tudo, ele me arruinou.

A noite trazia flores pra curar as dores que eu sentia quando o sol nascia todos os dias, era impossível ser dele por toda vida, nosso amor não chegou a durar, nem viver ou valer. Mas precisei aprender a viver em paz com a falta de paz, eu tinha esperança de ser feliz e fui mulher mal amada, de um jeito estúpido, cego e que não diz que não.
Eu vim pelas ruas só pra contar que estou morta, cansada, sofrida, sou resto de fantasia, apesar de ter o que dizer, não discuto com ninguém mais não. Podem me prender eu fiz por merecer. Podem me prender eu matei foi por querer, estava cansada de apanhar sem merecer.





4.28.2011

O Segredo de V




Eu amo v*, eu amo como nunca amei ninguém; sei que também sou amado e de uma maneira bem mais passional, escravizada, completa e irracional. O amor é assim plural e diversificado, porém, poucos compreendem a individualidade dos sentimentos e seus bilhões de trejeitos. Eu amo v* sem que eu precise viver em função dela ou cobri-la de presentes e beijos e palavras e romance e privilégios desmedidos. Só sei amar assim livremente.


v* não sabe lidar com todas essas discrepâncias do amor, por isso, sofre de ciúmes, teme perder, desconfia dos meus sentimentos, insiste em discutir o indiscutível, impõe ao nosso relacionamento uma carga maior do que ele pode suportar. Tudo por um motivo unanime: não amamos igual, amamos pessoas distintas, eu a amo, ela ama a mim. Não haveria meios para esse amor ser igual, apesar disso com todo meu amor sou capaz de viver uma vida inteira de dedicação a ela, mas não só a ela. E isso ela não compreende.


Tenho muitas pessoas pra amar, v* acha isso uma pavorosa realidade. Ela parece vítima de uma grande catástrofe natural e me faz exigências, em certos momentos me causa estranheza seu excesso de precisão. Jamais fui capaz de trair, embora tivesse sentido várias vezes vontade de dar motivos para v* duvidar de mim com propriedade. É enorme o desgosto de um homem correto que se vê diante de ameaças infantis da mulher que ama. É injusto para o inocente.


Reconheço a deslealdade masculina, ela realmente existe, assim como a feminina. Contra ela ninguém, nem mesmo eu ou v* é capaz de vencer, então pra que lutar? Minha mulher é doente, minha mulher ama demais, minha mulher ferve de tantos sentimentos. Ela começou a se tratar no MADA.

3.04.2011

O segredo de M.


47 anos de idade, 25 anos de profissão, 22 anos de casada e quase 10 anos atormentada pela incômoda ausência de amor, falta que só sente quem já teve muito muito amor.Tenho dois orgulhos se graduando na universidade, casa na praia no campo no exterior, amigos ocupados que só reaparecem no verão pra desfrutar do calor que só onde eu moro faz, a rotina dos meus dias é cruel e desonesta. Algumas coisas por muitas razões me faz falta: o cheiro do perfume que meu companheiro deixou de usar, os olhos dele confirmando seu desejo por mim, a infância dos garotos correndo pela casa ocupando meu tempo e os espaços, a época da pós inglês espanhol dança academia. De repente tudo evaporou, tudo aquilo que era bom fugiu pra dar lugar ao vazio. Minhas possibilidades de felicidade hoje resumem-se ao tempo escasso que passo na companhia dos meus filhos quando não estão com suas namoradas. Certa vez me disseram: perto dos cinquenta a gente deixa de ser mulher pra ser somente mãe. A vida é sacana mesmo.
Cansei de me redescobrir e fazer promessas. Cansei de por a culpa do fracasso no meu companheiro. Cansei de me esconder no armário. Em qualquer idade o que interessa é curtir, transar, beber e ferver os neorônios. Pra quê não comer acúçar, sal, frituras? Engordei, estou 10 quilos acima do meu peso ideal, mas pode ver meu sorriso nas fotografias, eu pareço muito feliz, eu sei que toda gorda tem a cara da felicidade, não escapei. Faço sexo duas vezes por semana e pra compensar os cinco dias sem transa meu marido me leva pra viajar. E se não dou trégua na leitura, se não te deixo respirar é por ser eufórica e querer que o mundo se convença do quanto natural e guerreira eu sou. Conheço muito de tudo, desde as cidades pequenas do meu estado aos lugares mais visitados do exterior. Essa bagagem facilita nas conversas, pareço tão interessante falando do que já vi e ainda assim não consigo ser atraente para meu marido. Mas sou para outros!!!! Foi numa dessas conversas que me faz parecer interessante que conheci um jovem através da internet. Simpatizei de tal modo que um dia sem falar com ele era pra mim um martírio. A amizade evoluiu pra romance e do romance nós conjecturamos um encontro.
Viajei, reservei hotel para os dois dias que eu passaria na cidade, simulei necessidade de estar só ao meu marido, tudo perfeito, arrisquei.
Ele não foi, o tal da internet simplesmente não foi. Escapou deixando uma lembrança qualquer, pensei em como eu me tornei vulnerável e disponível, talvez seja a idade, já tive dignidade.